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Os desafios da integração de equipes

(texto meu publicado no blog ComunicaçãoETC, no dia 25 de fevereiro de 2010 e que eu reproduzo aqui)

Integração é juntar. Ter totalidade. Este é o desejo de todo gestor com sua equipe ou com todos os funcionários de uma empresa. É natural que os líderes e gestores peçam aos seus funcionários que saibam tudo o que está acontecendo dentro da empresa, quais os negócios, as últimas notícias, saibam o que cada diretoria está fazendo e resolvendo, para alcançar as metas estabelecidas.

Integrar é uma forma de estimular o funcionário, dar motivação e tornar o ambiente de trabalho agradável. É uma forma inteiramente correta de se pensar. Uma empresa integrada, que tem todos os seus funcionários envolvidos, consegue se desenvolver, crescer e quem sabe, vencer a concorrência. A integração é importante para se manter o foco, a união, fazer com que a equipe não perca a direção e consiga ter êxito no final dos trabalhos.

Mas, os profissionais envolvidos na escolha da uma integração devem escolher corretamente o que deverá ser utilizado dentro da organização, pois somente desta forma o fato se tornará uma realidade. O dia a dia de uma empresa muitas vezes impede que uma integração seja realizada e geralmente este tipo ação é deixado de lado pelos gestores e líderes com a desculpa que o trabalho e as metas são muito mais importantes do que juntar a equipe para que os funcionários possam se conhecer.

Você que trabalha em uma organização, não importa o cargo, responda com toda sinceridade: não é uma tarefa árdua e complexa de ser feita? Integrar todos os funcionários ao mesmo tempo não é uma tarefa complexa?

As metas são tão enlouquecedoras para vencer a concorrência, seja qual for o setor de atuação, que muitas empresas passam batido por esta tarefa de integrar, vital para o crescimento de uma empresa. Posso garantir que este trabalho é necessário.

Primeiro, o funcionário assim que é contratado deve passar por uma imersão e conhecer toda a organização. Muitos gestores esquecem a importância de se conhecer a história da empresa, os benefícios, os negócios, serviços, etc. Como o gestor vai querer que o funcionário defenda a marca, se envolva nos planejamentos estratégicos e negócios da organização se este funcionário contratado não sabe absolutamente nada do local onde ele passará mais de 8 horas de seu dia?

Na maioria das vezes, o funcionário ao chegar a uma empresa recebe um kit de boas-vindas – muito bom -, com todas as informações sobre a organização. Mas, desafio qualquer um que tenha iniciado suas atividades em uma grande corporação a me dizer se realmente leu todo o material que recebeu? O funcionário já chega tão envolvido que vai se integrando a equipe e aos negócios. Com o passar do tempo e que ele vai aprender sobre a empresa. Pode ser diante de um site, de uma Intranet ou ainda ter curiosidade de ler livros ou folheterias. Se for curioso, ele lê, mas a integração acaba ocorrendo durante o dia a dia com seus colegas de trabalho ou uma reunião aqui e ali, onde ele consegue aumentar o seu círculo de amizades e seu networking.

Agora, segue um ALERTA para os líderes e gestores. Quando for contratar uma empresa para fazer uma integração tenha cuidado na escolha. Dependendo do trabalho oferecido, as ideias para integrar podem até mesmo desintegrar a equipe.

Em uma corporação de grandes dimensões uma integração com mais de 500 pessoas é impossível de ser realizada. É melhor dividir em etapas, por diretorias ou por setor e fazer o mesmo trabalho com todos os funcionários. Já tive esta experiência e o resultado foi gratificante.

Geralmente, a integração acontece mais com a equipe de vendas, pois as metas nesta área são sempre muito agressivas e estes funcionários precisam vender bastante para vencer a concorrência. Uma equipe de vendas integrada é fundamental para uma empresa.

Meu conselho: cuidado com integração que utiliza esportes radicais como rafting, cordas que possam prender/unir um funcionário no outro, pular de grandes alturas, etc. Muitos funcionários podem apresentar dificuldades e complicações no momento desta integração. Fobias ficam latentes. Alguém por acaso já teve a oportunidade de assistir o filme: White Mile? Se ainda não assistiu, aconselho ir à locadora mais próxima. Realizado para a TV americana com o premiadíssimo ator Alan Alda, conta a história real do dono de uma agência de publicidade americana bem sucedida em Nova York que para vencer a concorrência, resolve levar todos os seus principais diretores para um rafting. Muitos no início ficaram temerosos, mas quem estava disposto a desafiar o dono da agência e perder o seu emprego? Pois bem, eles foram e uma tragédia acabou acontecendo. 99% dos diretores morreram porque não tinham experiência em esportes radicais e a maioria não sabia nadar. Uma tragédia que acabou com a vida da agência e o pior de tudo, das famílias. O dono exigiu que todos fossem e ainda zombava daqueles que apresentassem medo por descer a cachoeira. O caso acabou com a prisão e condenação do dono da agência de publicidade e os poucos sobreviventes carregam até hoje traumas que poderia ser evitados caso este presidente tivesse um pouco mais de sensibilidade e respeitasse a individualidade de seus funcionários? Fato raro dentro de uma empresa.

Eu, antes de realizar as integrações que coordenei já tinha assistido a este filme e pude aconselhar os diretores a escolher com muito cuidado as empresas que nos ofereceriam este tipo de serviço.

Quando uma integração é anunciada para a equipe, a área de comunicação, o gestor ou o líder deve passar segurança, não somente com a vida dos funcionários, caso seja feito fora da empresa, mas também, quanto ao emprego em questão. Já soube de integrações que foram grandes pegadinhas para fazer avaliações e demissões.

Faça integração como troca de postos de trabalho. Muitos presidentes vestiram a roupa do faxineiro para saber como era este serviço. Este tipo de troca trás muitos benefícios. Se sua empresa tem Call Center fique um dia no atendimento e veja como é árduo este trabalho. Tente acompanhar então um dia de um engenheiro, arquiteto, profissional de comunicação, advogado, etc. da empresa onde você trabalha. A percepção muda completamente e o trabalho que antes você poderia enxergar como enfadonho verá com outros olhos. Mas, lembre-se, esta troca não pode prejudicar o andamento dos serviços da empresa, da equipe e mais ainda o cliente final.

Saiba sempre, que uma equipe integrada será participativa, defenderá a marca e a empresa. Não importa se esta organização tem 100 ou 10 mil empregados espelhados pelo país ou mundo. Festas de confraternização bem organizadas, aniversários, reuniões para troca de informações entre áreas, premiações de vendas com integração e um excelente reconhecimento aos funcionários que se destacaram dentro da organização tornará esta equipe e todos os escalões unidos em um único objetivo e em um único foco. Vencer! Não é isto que todos queremos em nossa vida?

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É segredo

Se é um segredo, não conte a ninguém!

Quem disse que segredo não é a alma do negócio. Segredo é aquilo que deve ser mantido em sigilo, não pode ser revelado de forma alguma. Foi mantendo um grande segredo que a Unidos da Tijuca venceu o desfile das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro. Um Segredo que valeu ouro e que hoje tem o gosto da vitória.

Nós, como profissionais de comunicação, devemos aprender uma lição importante com o carnavalesco Paulo Barros, um ex-comissário de bordo, que durante 14 anos voou nos céus do Brasil. Trocou de profissão para ser hoje o ex-aprendiz de Joãozinho Trinta. Ele não esqueceu o que estudou: criatividade e segredo era a alma de todo o seu talento e negócio, levado para sua equipe que trabalhou para o belo e inusitado desfile da Unidos da Tijuca.

Pare, pense e reflita: escola de samba é uma empresa como outra qualquer. Mesma estrutura, organização, organograma. Nela encontramos Presidente, Diretores, funcionários, financeiro, comunicação interna, assessoria de comunicação, advogados, terceirizados, marketing, RH, etc. Funciona da mesma forma: faz planejamentos estratégicos, reuniões, trabalho de integração e diretores de harmonia trabalham até a dispersão quando o desfile finalmente chega a Apoteose.

Eu escutei anos atrás, quando entrevistei Joãozinho Trinta, que se uma empresa trabalhasse da forma como uma escola de samba, não haveria tantos conflitos internos. “É tudo igual a uma empresa. Temos que ser organizados da mesma forma, planejar minuciosamente o que fazemos determinar metas e cronogramas, caso contrário o bolo desanda e a concorrência nos vence. Vocês podem aplicar tudo o que nós fazemos na escola de samba. Lá há integração, há harmonia, motivação, não há conflito. Se não houver integração, se não trabalharmos com alegria e metas, não conseguimos colocar a escola para desfilar e este não é o nosso objetivo”, diz Joãozinho Trinta.

Como uma empresa, uma escola de samba não tem nada de diferente. Eles têm uma meta que é vencer a concorrência e qual é a empresa que não deseja o mesmo? E para vencer, o que é necessário? Segredo. Foi mantendo segredo absoluto que a Unidos da Tijuca venceu a concorrência, deixando para trás grandes competidores e mais ainda, o povo na arquibancada e o mundo inteiro de boca aberta com a sua inovação, ousadia, criatividade e originalidade. A começar pela a Comissão de Frente, uma das mais originais de todos os tempos do carnaval carioca. O que continha ali: nada demais. Apenas segredo e uma equipe que acreditava no seu potencial e na sua inovação.

E não ficou por aí. Um carro com mais de cinco mil plantas verdadeiras, uma rampa com vários Batmans voando e Homens Aranhas escalando carros alegóricos. Fogo artificial que mais parecia verdadeiro em um carro que reproduzia a Biblioteca de Alexandria, que foi destruída em um incêndio, levando para sempre milhares de livros e segredos de nossa história.

A Unidos da Tijuca mostrou o que toda empresa deve ter: garra, motivação. Além disso, acreditar no trabalho em equipe e em um sonho, pois somente desta forma, conseguiriam conquistar, após 73 anos, a tão esperada  vitória. Hoje a escola e todos os seus “funcionários” sentem orgulho e carregam o título na alma e no coração de ser uma das grandes escolas do Rio de Janeiro. Uma equipe que trabalhou duro, em uma única meta e teve apenas 80 minutos para mostrar o esforço de um ano de uma comunidade/empresa.

Ser revolucionário e aceitar ideias também faz parte da diferença. Sabe como a Unidos da Tijuca criou o seu enredo? Depois que Paulo Barros, recebeu uma mensagem via Orkut, de Vinícius Ferraz, um rapaz de apenas 15 anos, que ama Carnaval. O adolescente teve a ousadia de encaminhar uma mensagem para o carnavalesco, que quase nunca abre suas mensagens. A ideia estava ali. Um enredo que falasse sobre todos os segredos da História da Humanidade. Uma única mensagem via rede social que mudou para sempre a história da Unidos da Tijuca. Paulo Barros acreditou e sabe o que ele fez? Manteve Segredo para Vinícius. Simples: um adolescente poderia ficar empolgado em saber que sua ideia foi aceita e sair espalhando para os amigos via rede social. Vinícius soube 12 dias antes do desfile. E saiba, Paulo Barros correu um risco tremendo com esta revelação, mas acreditou que o segredo seria mantido. Tudo correu bem e a vitória chegou com várias e várias notas 10 para esta empresa tão unida.

A mídia social, muitas vezes usada e até mesmo desacreditada pelas empresas e por profissionais de comunicação foi um meio para criação de um enredo que levou a escola a tão sonhada conquista. Se muitos gestores acreditassem e trocassem ideias com seus funcionários, a tal troca de conhecimento, poderiam estar vencendo a concorrência, assim como o carnavalesco conseguiu.

Fica aqui a lição para gestores e líderes de pequenas, médias e grandes empresas. Se uma escola de samba, que trabalha o ano inteiro como uma empresa, com integração e harmonia para alcançar suas metas, porque uma empresa não pode fazer o mesmo?

 

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