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A relação empresas-agências de comunicação

Assista no site Nós da Comunicação, vídeo gravado com diversos profissionais da área  abordando a relação existente entre as empresas-agências de comunicação. O evento foi no Rio de Janeiro em 11 de março durante o encontro ‘Abracom – 2ª década do século XXI.

Não perca também, na mesma página em que será direcionado,  o vídeo de Ciro Reis, presidente da Abracom.

Clique na palavra ou na imagem: Nós da Comunicação

 

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Memória Empresarial no Templo da Perdição

Você conhece profundamente a história da empresa em que trabalha? Você sabe quantos anos tem a empresa? Qual o seu negócio? Quantos funcionários antigos e novos têm a organização? A história faz parte da integração da empresa? É fator de união? Os novos funcionários quando entraram aprenderam esta história? São muitas perguntas, mas aposto que você não conseguirá responder. Sabe por quê? Como diz um dito popular e parece ser adotado por alguns gestores, lugar de velharia é em museu e muitas das nossas antigas empresas não guardaram o maior patrimônio que elas deveriam conservar: a sua história, a sua MEMÓRIA.

IJ4-WP-48-800Consigo claramente imaginar muitos desses gestores sonhando em contratar Indiana Jones para tentar resgatar esta memória perdida. Mas será que o famoso arqueólogo, criado pelo diretor George Lucas, filmado magistralmente pelas lentes de Steven Spielberg e imortalizado pelo ator Harrison Ford, conseguiria resgatar estas memórias esquecidas em algum “templo perdido”? Não sei não! Se estes gestores acham que recorrer a Indiana Jones é o melhor modo encontrado para recuperar a memória perdida, eles estão completamente enganados.

Muitas organizações esqueceram que história e comunicação devem andar de mãos dadas, mesmo depois de privatizadas, somente desta forma conseguirão construir o futuro que desejam. Como diz Paulo Nassar, presidente da Aberje, “sem memória, o futuro fica suspenso no ar”.  E para se construir uma história precisa-se de um elemento fundamental: gente, funcionário, colaborador, empregado. Chame do que quiser. Mas sem ele, nunca será possível construir ou manter viva esta memória, a marca ou a organização.  O trabalho é feito dia a dia. Para que os alicerces possam ser sólidos, precisa-se da força do empregado, da comunicação para manter, integrar e utilizar esta ferramenta como união com o objetivo de buscar um futuro melhor.

Muitas empresas a partir da década de 90 acabaram por perder parte de sua memória porque a renovação, a privatização e os valores dos acionistas eram muito maiores do que a conservação do “patrimônio nacional”. Concordo que temos que pensar no todo: steakholders, pois empresa que não conquista mercado, não vence a concorrência e não dá lucros, não consegue sobreviver nem tendo um excelente passado, muito menos um excelente nome e marca. É insustentável. Tem que dar lucro e tem que vencer a concorrência. Isto garante a história, o passado, o presente e o futuro da empresa.

Sabemos que quando há uma privatização muitos empregados de culturas completamente diferentes permanecerão dentro dela. Estarão convivendo com pessoas de nacionalidades diferentes. Tudo deve ser respeito e levado em consideração no momento da compra e mais ainda, depois dela. As empresas do setor de telecomunicações, mineração, energia de nosso país estão hoje lutando para recuperar esta história que foi construída e casualmente perdida.

Como disse Karen Worcmam, em seu texto “Memória do futuro, um desafio”, no livro, “Memória de Empresa” da Aberje Editoria:

Trabalhar a Memória Empresarial não é simplesmente referir-se ao passado de um empresa”.

Na verdade, está mais para como uma organização usa a sua história. E acredite, muitas não sabem o que fazer.

Quando a comunicação utiliza a história como ferramenta de integração está valorizando à sua atividade fim, o seu patrimônio e tudo que ela construiu e que há dentro dela. Está pensando no futuro e no que está sendo construído.

Por este motivo, gestores e funcionários e principalmente a área de comunicação, procurem não resgatar somente o passado,  este muitas vezes esquecido em uma sala climatizada cheia de caixas de fotografias, slides, fitas, etc. , ou até mesmo no fundo de gavetas e armários. Na verdade, este material está esquecido por que quem poderia recontar a história não faz mais parte da empresa. Além disso, entrar neste “templo perdido” dá um desespero tão grande que a melhor solução é deixar para lá, esquecer que aquela sala existe e se alguém algum dia precisar de um filme ou uma fotografia, entregue a chave para o pobre coitado e deseje a ele boa sorte na procura.

A história de uma empresa é um referencial para quem trabalha dentro e fora da organização. É a partir dela que uma empresa, seus clientes e funcionários criarão vínculos ao longo de toda a sua trajetória. Então é fundamental que a comunicação empresarial trabalhe esta ferramenta como construção sem criar uma narrativa histórica acumulada por anos e anos, como diz a excelente Karen Worcman.

A Memória Empresarial pode ser utilizada como apoio nos negócios, como acúmulo de experiência. Dentro dos muros de uma empresa, em cada cadeira ocupada, há uma história sendo construída e ela deve ter o seu devido valor. Não deve ser tratada com descaso ou perdida em tal “templos perdidos” até que alguém, algum dia ache importante reescrevê-la.

Tenho observado que há um forte movimento no mercado de resgatar as memórias empresariais. Um bom exemplo disso é o belo trabalho que o Theatro Municipal do Rio de Janeiro  está fazendo e o da Vale é outro. Conheço inúmeras empresas que estão procurando agências de comunicação para não só resgatar as suas memórias, mas para valorizá-las como patrimônio de integração.

Então, você trabalha em uma empresa que não sabe a sua história? É importante cobrar para o seu gestor!

Para finalizar vou utilizar uma citação do grande escritor Gabriel Garcia Márquez, que também está na abertura do texto de Karen Worcman.

La vida no es la uno vivo, sino La que uno recuerda y cómo La recierda para contaria.”

E aí: entendeu? Para construir o futuro vai precisar recorrer à Indiana Jones com o seu famoso chicote?

(Por coincidência a Aberje divulgou em seu site, no dia 25 de setembro de 2009, um artigo intitulado “Memória Empresarial: da Celebração ao Relacionamento Estratégico”. Leia também este excelente artigo clicando na palavra Aberje).


 

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