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Liderança, tema do último Ciclo Comunicar

07 dez

De 29 de novembro a seis de dezembro o Nós da Comunicação – site indispensável para qualquer profissional de comunicação-, realizou o último Ciclo Comunicar abordando o tema Liderança. Durante esta semana a ESPM do rio de Janeiro recebeu profissionais que dialogaram sobre as características e valores do líder do século XXI.

Você que é leitor da Plano B pode acompanhar aqui a reprodução da matéria publicada no site e de alguns artigos que a editoria da Consultoria achou extremamente relevante e interessante. Para ler e guardar.

Aproveitamos para dar os parabéns a toda a equipe do Nós da comunicação que apresentou durante todo o ano de 2010 maravilhosos ciclos e oportunidades de debates para engrandecer os profissionais de comunicação.

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Uma semana de inspiração para as lideranças no século XXI

Christina Lima

Foi-se o tempo do poder exercido por um indivíduo privilegiado que, por ter maior acesso às informações, era o único a possuir a ‘chave’ para guiar seus liderados. Na visão moderna da liderança, o efeito de influenciar e inspirar pessoas é o que vale. Sai o controle, entra a colaboração. Durante uma semana, de 29 de novembro a 6 de dezembro, abrimos espaço para dialogar sobre as características e valores do líder do século XXI. Para isso, contamos com a contribuição de profissionais de várias áreas.

Realizamos no dia 1º de dezembro, no auditório da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), no Rio de Janeiro, um encontro para refletir sobre as complexidades com que gestores se deparam no mundo corporativo, onde atitudes inovadoras têm estimulado um novo tipo de relacionamento entre líderes e liderados. Nossos convidados foram Júlio Fonseca, diretor de Gente da Oi; João Domenech, diretor de Comunicação Corporativa da Coca-Cola Brasil, e Rafael Liporace, diretor da agência Biruta Mídias Mirabolantes e Paulo Clemen, diretor de atendimento e planejamento da Casa do Cliente Comunicação 360º, mediador.

Dentro da programação especial do Ciclo Comunicar Liderança, ainda batemos um papo virtual com o jornalista André Moragas, no dia 30 de dezembro. Ele passou pelos jornais ‘O Dia’ e ‘O Globo’, cobrindo as áreas de cidade e economia. Foi editor do ‘Globo Online’, na Infoglobo, e atualmente assume, na Ampla Energia e Serviços S.A., a função de diretor de Relações Institucionais e Comunicação.
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A gestão estratégica como diferencial na liderança

João Casotti

O senso de liderança é algo presente na essência do empreendedor. Com a alta competitividade de um mercado em constantes transformações, a presença de uma visão estratégica na gestão empresarial pode ser responsável pela sobrevivência da empresa. A pesquisa ‘Demografia das Empresas’, divulgada este ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), confirma esta realidade: apenas entre 2007 e 2008; 889,5 mil empresas entraram no mercado e 719,9 mil fecharam as portas.

“Neste cenário de um mercado extremamente competitivo, com empresas investindo em tecnologia e novas possibilidades de comunicação, o empreendedor precisa estar atento a todas estas mudanças”, afirma Josué dos Anjos, consultor do Serviço de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (Sebrae) do Mato Grosso do Sul e gestor de projetos e produtos do Portal Educação. Segundo o consultor, as organizações estão buscando mais líderes do que executores, à procura das capacidades de pensamento, decisão e inovação.

“O empreendedor não trabalha sozinho. Em algum momento vai precisar de apoio, seja por meio de parceiros ou colaboradores. Para este relacionamento, deve estar intrínseca a capacidade de liderança, que é a habilidade de comover e conduzir as pessoas a realizar o projeto”, explica Josué.

Capacitação para liderança

Heloisa Leite, professora da Coppead, escola de negócios da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), possui experiência internacional e faz uma análise dos atributos do líder no Brasil. “Temos vantagens comparativas. O brasileiro tem uma característica de plasticidade social. De forma negativa é vista como o ‘jeitinho brasileiro’, e de forma positiva é definida como inteligência emocional, uma capacidade de aceitar as diferenças. Por isso, o executivo brasileiro é bem visto no mundo todo.”

Segundo a professora, responsável por cursos de capacitação para executivos e gestores, a demanda por treinamento na área tem crescido muito. Apesar de a condição de líder ser considerada por muitos como algo que surge naturalmente nas pessoas, a acadêmica afirma que as qualidades de um líder podem ser desenvolvidas. “Liderar não é só ter capacidade técnica. Além do marketing, das finanças ou das estatísticas, as cadeiras comportamental e ética são fundamentais na formação do líder.”

Josué dos Anjos concorda com a professora. “Empreendedor é uma característica nata do ser humano, que às vezes está incubada e pode ser desenvolvida através de treinamentos e capacitações. O mesmo vale para a liderança. Todos nós temos a capacidade de envolvimento, o que determina o sucesso é a preparação”, justifica.

Mas o mercado apresenta exemplos de profissionais da Geração Y que, mesmo sem grandes experiências, assumem o papel de líder. É o caso de Yuri Zero, de apenas 23 anos, dono de seu próprio negócio. Sócio da Às Produções, empresa de comunicação e marketing, o jovem revela o que espera de um comando estratégico. “Alguns preferem usar a autoridade, outros acreditam que criar laços de amizade é uma forma mais fácil e simples de conseguir as coisas. Um grande líder é aquele que inspira confiança e respeito, que não precisa dar um grito para obter o que precisa. Pedir, basta.”

Trabalho em família

Antes de assumir seu empreendimento, Yuri Zero trabalhou com sua mãe, a produtora cultural Maria Luisa Jucá, na empresa Conexão Marketing, que atua há 20 anos no mercado. De acordo com o publicitário, a experiência foi extremamente enriquecedora, mas trabalhar em família envolve questões complicadas. “A relação de intimidade que se tem com um familiar acaba afetando a relação entre empregado e empregador. Às vezes é difícil saber separar as coisas”, confessa.

Para Dorothy de Mello, presidente do Instituto Empresa Familiar e sócia-diretora da Nebel e Mello Consultores Associados, a separação entre a relação familiar e profissional é algo muito difícil de estabelecer nas organizações. “A implantação de uma governança corporativa afasta os papéis entre propriedade e gestão. Os familiares que estão na empresa devem ser considerados como qualquer executivo, capazes de funcionar como qualquer profissional. Inclusive, serem contratados por competência e adequação à posição que lhes é oferecida”.

A diretora afirmou ainda que a gestão autoritária não funciona há muito tempo: “Um empreendedor não necessariamente vai ser um líder. Quando ele tem uma oportunidade e cria algo, nesse início ele é tudo. Mas à medida que a empresa vai crescendo surgem outras necessidades que precisam ser conduzidas por gente capaz. Isso é um problema no Brasil, por exemplo, que é cheio de empreendedores, mas muitas empresas não sobrevivem”, assinala.

O estudo Demografia das Empresas, realizado pelo IBGE, revela que do total de 464,7 mil empresas que apareceram pela primeira vez no mercado em 2007, 353,5 mil (76%) sobreviveram em 2008. O resultado está diretamente relacionado ao porte da organização, segundo a análise da pesquisa: entre as empresas sem pessoal assalariado, a taxa de sobrevivência diminui para 68%; com 1 a 9 profissionais, é de 89%; e, a partir de 10 pessoas, sobe para de 96%.

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A comunicação da nova liderança das favelas cariocas

João Casotti

O Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ganhou uma nova liderança. No dia 28 de novembro, o Brasil e o mundo acompanharam pela mídia as forças de segurança do Estado entrarem na comunidade com o objetivo de restabelecer o controle sobre a região, antes dominada por traficantes armados. Agora, o conjunto de favelas tem a perspectiva de integrar os serviços da cidade e entra na lista das comunidades que vão receber a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), cuja instalação está prevista para o primeiro semestre de 2011.

Há décadas a vista privilegiada das favelas do Rio de Janeiro é ofuscada pela presença de traficantes, mas as recentes ocupações das UPPs nestas áreas abrem um novo horizonte para a cidade que receberá a Copa do Mundo em 2014 e sediará os Jogos Olímpicos em 2016: sai o crime organizado, entra o Estado, em uma tentativa de restaurar o livre acesso às comunidades.

Esta transição, que já ocorre em 13 favelas do Rio de Janeiro, está atraindo os interesses privado e público para uma numerosa população, que antes era marginalizada dos serviços da sociedade. Após a pacificação, as comunidades dos morros cariocas ressurgem com o potencial de pagadoras de impostos e também como público consumidor acessível para as empresas. No entanto, para atender a esta nova realidade o mercado local precisa se formalizar.

“Às vezes, as pessoas têm a impressão de que a ocupação já resolve o problema, quando na verdade é um processo que está apenas começando”, conta Daniela Tavares, do Instituto Pereira Passos. Ela é coordenadora do projeto Empresa Bacana, que tem o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável do ambiente de negócios das comunidades pacificadas por meio da formalização e capacitação de pequenos empreendedores.

Para comunicar aos moradores a iniciativa, o Empresa Bacana organiza um evento de lançamento com a presença de consultores para explicar a cobrança de impostos e os benefícios que a formalização garante ao comerciante. Depois desse mutirão, realizado em cada comunidade, o projeto ainda fica instalado um mês na região atendendo aos habitantes.

“A divulgação é pela informalidade. Às vezes um motoboy distribui panfletos, utilizamos carros de som e a rádio comunitária. Os próprios policiais acabam fazendo também a panfletagem”, explica Daniela, que carregava três pesadas caixas com folhetos no morro da Providência, no Centro do Rio. “O boca a boca é muito importante neste processo, e isso vem dando certo.”

A liderança das favelas pacificadas mudou. No lugar de traficantes armados no alto do morro estão os carros de polícia, que sobem e descem sem qualquer intervenção. E como nova referência para os habitantes, a polícia também demonstra um cuidado especial no diálogo com seus ‘novos clientes’. Segundo o subcomandante da UPP da Providência, Thaibeth Duarte, a comunicação com os moradores é direta.

“O modelo de polícia que nós fazemos é o de proximidade. A ideia é estar perto do morador para poder incutir o conceito de bairro, pois, dessa forma, ele não aceita a criminalidade. Isso nos permite fazer o mesmo policiamento que fazemos em qualquer bairro. Com a confiança do morador evitamos que o tráfico ou o crime volte”, argumenta Thaibeth. Ele confessa que os próprios policiais acabam trabalhando na divulgação de iniciativas para a comunidade. “Recebi um material aqui, uns panfletos do projeto Empresa Bacana, que deveremos distribuir na comunidade.”

Um vestígio da mudança de relacionamento entre a polícia e os moradores pôde ser percebido no quadro de avisos da delegacia da UPP da Providência, onde estava escrito ‘Agente comunitário: realizar evento do Karatê’. De acordo com o subcomandante, são cerca de 250 alunos de karatê educacional, lecionados por um cabo da unidade. “Isso foi um meio que nos aproximou bastante da comunidade, porque primeiro vem a criança, depois chegam os pais. Temos pessoas de todas as idades conosco”, afirma Thaibeth Duarte.

A comunicação da UPP começa a navegar pelas infovias da internet. No final de outubro foram criados perfis em redes sociais e, na primeira quinzena de novembro, foi lançado o site da UPP Social, que é o órgão de auxílio às iniciativas sociais das unidades. Segundo Rodrigo Nogueira, responsável pela comunicação digital da UPP Social, o objetivo é criar um espaço de webcidadania para abrir um canal de diálogo com a população. “Vimos movimentos sociais e moradores de comunidades interagindo. Existe um potencial enorme para essa interação crescer de forma consistente”, explica.

Ele ainda ressalta a importância da UPP Social, como um espaço de escuta. “As redes sociais ampliam esse conceito. Estamos na Rede descobrindo o que as pessoas dizem sobre o projeto. Procuramos tirar dúvidas, ouvir as críticas e comentários, sempre buscando aprimorar o diálogo”, completa Rodrigo Nogueira.

A comunicação das empresas nas comunidades

Responsável pela distribuição de energia para 31 municípios do Rio de Janeiro, a Light está presente em comunidades ocupadas tanto pelas UPPs quanto pelos traficantes. Para circular nas áreas de risco, a empresa sempre entra em contato com as associações de moradores. “Toda comunidade tem a sua liderança, instituída pelos moradores. Já tivemos situações em que traficantes nos questionaram onde estávamos indo, mas com o link da associação conseguimos a liberação”, explica Sandra Consoli, gestora social de atendimento às comunidades da Light.

Segundo Consoli, os funcionários da empresa tinham dificuldade para serem atendidos em comunidades ocupadas pelo crime organizado, pois eram impossibilitados pelos traficantes de fazer cortes nas ligações clandestinas ou nas casas de moradores que não pagavam suas contas. Resultado: qualidade do serviço ruim e alto índice de inadimplência.

Agora, nas favelas pacificadas é preciso ter atenção em como comunicar a cobrança de serviços que antes não eram pagos, como lembra Daniela Tavares. “Ninguém gosta de pagar impostos. Por isso, a cobrança é reduzida para estes novos contribuintes. Eles ganham acesso a um serviço que não existia. O objetivo é fortalecer este mercado que vai receber investimentos de fora, para que, quando as empresas chegarem às comunidades, esses pequenos empreendedores estejam formalizados”, descreve.

Sandra Consoli está segura que o primeiro passo para entrar na comunidade é estabelecer um relacionamento. Depois, é preciso fazer um trabalho de conscientização com os consumidores comunitários, com explicações sobre economia de consumo para que possam reduzir o valor da conta de energia. “Somente pela educação é que eles vão conseguir mudar o vício arraigado de não pagar. Agora eles ganham um serviço de qualidade e o nível de inadimplência é baixíssimo”, completa a gerente.

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Executivos debatem os valores inovadores para uma nova liderança

João Casotti

Houve um consenso entre os palestrantes do evento do Ciclo Comunicar Liderança, promovido pelo Nós da Comunicação: os valores sobre liderança no mundo corporativo estão passando por profundas transformações. O debate, realizado no dia 1º de dezembro, no auditório da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPhttps://planobconsultoria.wordpress.com/wp-admin/post-new.phpM), no Rio de Janeiro, refletiu as complexidades que gestores se deparam no mundo corporativo, onde atitudes inovadoras têm estimulado um novo tipo de relacionamento entre líderes e liderados.

Júlio Fonseca, diretor de Gente da Oi; João Domenech, diretor de Comunicação Corporativa da Coca-Cola Brasil, e Rafael Liporace, diretor da agência Biruta Mídias Mirabolantes, foram os executivos que dialogaram sobre o tema, mediados por Paulo Clemen, diretor de atendimento e planejamento da Casa do Cliente Comunicação 360º. No início da conversa, os convidados comentaram suas percepções sobre os conceitos de liderança neste início de século.

“É algo complexo, pois todos falam sobre, mas poucos compreendem. O líder inspira; tem a torcida a seu favor. Sua realização vem por meio do sucesso de sua equipe. O fundamental para ser considerado um líder é o autoconhecimento, a capacidade de governar a si mesmo”, descreve Júlio Fonseca, que cita a gestão participativa como um exemplo de atitude diferenciada em algumas empresas. “Isso otimizou o desempenho das organizações e foi viabilizado pela comunicação, que é muito importante no apoio para a gestão.”

Com formação em jornalismo, carreira que considera entre as mais solitárias, João Domenech contou que, ao assumir a diretoria na área de comunicação da Coca-Cola Brasil, há sete meses, fez questão de inverter os papéis para aumentar a participação de seu grupo. “Tive muitas equipes e o que sempre procurei fazer foi envolver os funcionários de forma não convencional. Quando cheguei à empresa perguntei para as pessoas: o que devo fazer?.”

Segundo Domenech, atitudes simbólicas são importantes, mas se não forem associadas à prática têm pouco efeito. “Na teoria evoluímos, mas ainda esbarramos na falta de acesso à comunicação. Muitos gerentes foram formados no século passado. Temos que combater isso, ser mais heterodoxos. Precisamos que o subordinado tenha acesso livre ao gerente de fato”, explica.

Responsável por momentos de descontração da plateia, o extrovertido Rafael Liporace apresentou diversos exemplos de liderança inovadora. Em sua empresa, os funcionários ganham folga de meio expediente para comemorar os aniversários de filhos, de casamento e o próprio, é claro. Até morte do animalzinho de estimação já foi motivo de licença do trabalho. “Acredito no modelo ‘quanto mais simples e próximo, melhor’. Se as premissas forem verdadeiras a coisa funciona, caso contrário é demagogia”, conta Liporace.

Valorizando esse comportamento, a agência Biruta Mídias Mirabolantes foi eleita em 2010, pelo Great Place to Work, a melhor empresa de comunicação para se trabalhar no Brasil. Mas o diretor admite que vincular tais conceitos a uma grande empresa não deve ser tarefa fácil. “Gostaria de, daqui a 15 anos, vender minha empresa, assumir uma multinacional e tentar aplicar estes valores para ver se funciona, porque deve ser complicado.”

De acordo com Júlio Fonseca, todos são resistentes às mudanças, inclusive os líderes. “Sentimos dificuldade de se relacionar com os jovens, pois as mudanças são cada vez mais intensas. Precisamos guardar este espírito, mesmo quando mais velhos. Por outro lado, os representantes da Geração Y parecem que querem chegar ao céu, mas não querem morrer”, se referindo à velocidade em que os jovens querem progredir nas organizações. Liporace cobrou uma postura mais destemida do mercado: “Quanto maior o risco, maior o ganho. Os grandes líderes foram aqueles que arriscaram.”

Paulo Clemen comentou a percepção de que o brasileiro é um profissional culturalmente acostumado ao comando forte, realidade que vai contra as tendências apresentadas no encontro. “No passado, o chefe era o sujeito dono da informação. Hoje, com as informações circulando livremente, seu poder está na capacidade de relacionamento”, afirma. Para João Domenech, o país se habituou à cultura do poder e respeito à autoridade. “Isso é ruim para a empresa, pois perde a capacidade criativa e o ideal de participação.”

Na visão de Julio Fonseca, esta característica do profissional brasileiro não está relacionada à cultura. “Querer um chefe autoritário não é uma questão do brasileiro. Nosso problema é estrutural, pois temos uma educação sofrível. Uma cultura não é melhor que a outra, é diferente”, argumenta.

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As diferenças entre o chefe e o líder na crescente complexidade do mercado

João Casotti

A palavra chefe no mundo corporativo não tem uma boa reputação devido à imagem de autoritarismo associada ao cargo. Por isso, aos poucos a expressão foi dando lugar a termos como gerente, gestor ou administrador, que tentam dar um aspecto mais simpático aos postos de comando das empresas. Por um período, antes do início deste milênio, falava-se em chefia e líder como sinônimos, conceitos separados nos anos 2000. Hoje, liderança é uma palavra que ganha cada vez mais valor entre as organizações e, ao mesmo tempo, é mal compreendida.

“Define-se chefia como um cargo e liderança com uma habilidade especial de interação e influência. O líder nunca é um carrasco”, afirma Paulo Motta, consultor e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro. Segundo o especialista, as expressões chefe, gerente e gestor são quase sinônimos, e nos últimos anos foram muito associadas ao papel do líder.

“Mas liderança lembra uma capacidade natural das pessoas influenciarem as outras. Num meio organizacional, as pessoas preferem ser lideradas no lugar de gerenciadas, supervisionadas, comandadas, controladas. Ninguém espera que o chefe seja um grande líder, mas se ele aprender algumas habilidades de liderança será um chefe melhor dentro deste contexto moderno”, explica Motta.

O consultor Paulo Nabuco, que atua na área de liderança e gestão de pessoas, ajuda a esclarecer a história dos comandos nas organizações. “A visão desse gestor antigo era baseada na cobrança por produção. Com o passar do tempo, o mercado passou a ter outras necessidades, entramos na fase dos benefícios, dos sindicatos. Com isso, o chefe não podia ser apenas um cobrador e começaram a surgir terminologias como gerente, gestor, que caracterizam um momento com novos valores”, assinala o professor convidado da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e dos cursos de extensão da Universidade Estácio de Sá.

Segundo Nabuco, o mercado está cada vez mais exigente não só pela alteração do perfil do cliente nas organizações, mas também dos colaboradores, que procuram novos desafios e recompensas. “O líder, atualmente, é a pessoa que agrega novos valores à equipe. A partir do momento em que o material humano muda, surge a necessidade de novos perfis de gestores, que o mercado chama de líderes.”

A pesquisa IBM Global CEO Study 2010, que questionou cerca de 1.500 CEOs de 60 países e 33 diferentes indústrias, apresenta um dado curioso sobre a expectativa desses chefes empresariais em relação ao mercado: oito em cada dez diretores têm sérias dúvidas sobre sua capacidade de lidar com a complexidade do mundo. Os entrevistados afirmaram que o atual ambiente de negócios é volátil, incerto e crescentemente complexo devido a fatores macroeconômicos (38%), de mercado (56%) e de tecnologia (39%). Diante desta perspectiva de crescente complexidade, os CEOs apontaram a criatividade como atributo de liderança mais importante.

Paulo Motta concorda com a revelação do estudo: “A criatividade é uma habilidade que pode ser desenvolvida pelo desafio e pela iniciativa. Ao permitir que os profissionais elaborem suas próprias ideias, o chefe passa a ter que acreditar na capacidade dos subordinados. Se essa relação for uma imposição como conformidade, vai obter funcionários passíveis, dependentes e sem iniciativa; consequentemente, a inovação vai ser nula. E quanto mais ele incentivar esta capacidade de as pessoas assumirem responsabilidades e desenvolverem ideias próprias, melhor será a concorrência para inovação”.

Motta criticou o autoritarismo do mercado no Brasil, que torna os funcionários receptores passivos das ideias do chefe. O professor ainda fez uma análise dos diferentes comportamentos da figura do chefe no mundo: no Japão, é encarregado de manter um consenso; na Alemanha, tem a função de verificar o cumprimento daquilo que foi determinado em conjunto; e nos Estados Unidos, é responsável por estabelecer boas diretrizes capazes de descentralizar e gerar iniciativa nas pessoas. “A função de líder varia em cada região, mas o brasileiro, culturalmente, tem a crença no comando forte.”

Na visão de Paulo Nabuco, as organizações do país utilizam a palavra liderança de forma não consciente. “A empresa necessita de líderes, mas ao mesmo tempo não sabe definir o que é ser um líder. O mercado corporativo confunde líderes com ídolo. Liderança não tem o componente emocional como preponderante, ela se conquista pela sintonia de objetivos.”

Para o consultor, é comum as organizações desejarem líderes, mas ao serem questionadas sobre as características dessa figura, a pergunta fica sem resposta. “Existe espaço para esta prática, mas os responsáveis pelas empresas deveriam em um primeiro momento definir o que é ser um líder ou gestor, pois elas precisam de liderança”, acredita Nabuco.

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Espero que apreciem este maravilhoso trabalho realizado por toda a equipe do Nós da Comunicação e lembro aqui uma frase de um antigo gestor e líder nato que a editora aqui teve durante os seus primeiros anos como profissional de comunicação interna: Quem tem chefe é índio. Ou você é líder ou nunca será.

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