RSS

Comunicação Esquizofrênica

06 jul

200573743-001Atualmente falar sobre esquizofrenia nos programas de entrevistas virou moda. A autora Glória Perez tem abordado o tema em sua novela “Caminho das Índias”, mostrando ao telespectador esta terrível doença, como se manifesta, os surtos  etc.

Pegando uma carona, vou falar sobre esquizofrenia de outra forma, mas com graves efeitos colaterais quando ela se manifesta em uma organização. Li pela primeira vez o termo “Comunicação Esquizofrênica” no livro “Comunicação Interna – a Força das Empresas vol.1”, editado pela ABERJE, no artigo de Luiz Antonio Gaulia. Confesso que não conhecia, mas como profissional eu e muitos já vivenciamos.

Irei além a definição do autor, pois Gaulia trata de um assunto que já explorei no post anterior: transparência, credibilidade e confiança na empresa. O real jogo da comunicação, necessário somente quando se são aplicadas regras claras e transparentes, caso contrário será destruído o relacionamento dos colaboradores com a organização.

Estamos cansados de saber que a partir do momento em que há crença na comunicação interna, há confiança na empresa. Uma vez terminada esta confiança e adulterando esta pequena fórmula, Gaulia relata que está criada a Comunicação Esquizofrênica.

Mas o que será exatamente isto? Ele define de forma simples. É o fingimento, a hipocrisia aplicada por gestores, líderes e a empresa com os seus colaboradores.  Acontece quando os líderes chegam à frente de seus funcionários e dizem “sim”, mas na prática estão sempre exercitando o “não”. Onde os feudos criados dentro da empresa se matam e acabam esquecendo os verdadeiros concorrentes de mercado. Esquecem o externo para brigarem internamente. Onde as informações circulam dentro da empresa de forma altamente errada e acabam transformando o ambiente de trabalho doente. 200573778-001

Quantas empresas doentes não há neste Brasil? Quantas informações erradas são passadas por causa da Comunicação Esquizofrênica e feudos criados dentro de uma organização?

O dicionário Houaiss é bem claro quando ele fala do significado de esquizofrenia: termo geral que designa um conjunto de psicoses endógenas cujos sintomas fundamentais apontam a existência de uma dissociação da ação e do pensamento, expressa em uma sintomatologia variada, como delírios persecutórios, alucinações, esp. auditivas, labilidade afetiva etc.

Com toda certeza já encontramos pelo caminho gestores com dissociação de ações e de pensamentos quanto ao trabalho realizado. Não quer dizer que possuem a doença propriamente dita, mas são gestores que costumam enlouquecer suas equipes com a prática do “sim” e do “não”. São gestores “doentes” e que adoecem a equipe. Quais são as consequências? Desmotivação, não cumprimento de metas, resultados desastrosos, falta de credibilidade na empresa e na comunicação interna, que segue o mesmo caminho da comunicação esquizofrênica.

Gualia nos diz que estamos cansados de saber da existência deste tipo de gestor. E é verdade! Então, por que estas coisas sempre acontecem? Porque as empresas insistem em ter em seu quadro organizacional gestores deste porte sabendo do perigo real e imediato que ele poderá causar?

Mais atenção na seleção, no momento da contratação. Este tipo de gestor pode ser barrado logo na entrevista, basta saber um pouco mais sobre a vida pregressa deste profissional. A organização certamente evitará a contratação de um gestor despreparado e que pode contaminar toda uma empresa e uma equipe.

Este gestor costuma se esconder atrás de um falso profissionalismo de anos de carreira, sustentada não sabemos como. No fundo sabem que estão praticando a Comunicação Esquizofrênica, varrendo para debaixo do tapete o sim e praticando o não.

71277369Preferem aderir ao que Luiz Gaulia chama também de Jogo do Silêncio. O famoso: não vejo, não falo e não ouço. Muito praticado por equipes de comunicação interna comandadas por gestores que utilizam esta Comunicação Esquizofrênica. Primeiro ele contamina a sua equipe e depois repassa para a empresa. Uma lavagem cerebral. É uma bola de neve que cresce a cada dia e que acaba com a credibilidade e confiança no trabalho realizado por todos.

Este tipo de gestor acha que a comunicação não vaza e quando acontece se espanta, se perguntando como aconteceu? Ele se esquece da rádio-corredor, da área do cafezinho, do fumodromo, do restaurante corporativo, do e-mail, do SMS entre os colaboradores etc. Locais que podem ser uma grande ferramenta de comunicação se bem utilizada. Serve de termômetro para sabermos o que está acontecendo e o que os funcionários estão achando. Caso surja alguma dúvida, devemos tirá-las imediatamente por meios oficiais.

A solução é acabar com estes gestores ou eles praticarem a real comunicação semeando a empresa com verdades, para que no futuro consiga colher frutos saudáveis. O que é? Uma equipe estimulada, gostando do que faz, porque conhece a sua empresa e sabe sempre a verdade. Impossível? Não! Mas é difícil de ser seguida com gestores que ainda persistem no delírio e na fantasia. Do falar sim e praticarem o não.

Como termina o próprio Gaulia em seu texto, se não há credibilidade, se a verdade não é dita pela empresa, por que então perder tempo fazendo comunicação? Por que continuar tentando divulgar coisas que ninguém mais acredita? Finalizo, dizendo: porque esses gestores continuam sendo contratados pelas empresas.

Diga! Esta será a melhor empresa para se trabalhar?

Anúncios
 

Tags: , , ,

8 Respostas para “Comunicação Esquizofrênica

  1. ricardo

    06/07/2009 at 17:17

    Jana, excelente texto. A comunicação interna não é jornalzinho é gerência. Super legal o seu texto.

     
    • janamachado

      06/07/2009 at 17:23

      Obrigada Ricardo,

      Deixe sempre seus comentários. São super importantes, pois você tem uma visão excelente de comunicação. Saberei por eles se estou trilhando o caminho certo.

      Nem preciso dizer porque…

       
  2. Rui

    08/07/2009 at 09:17

    Muito interessante. Mas creio que o problema não possa ser debitado na conta de apenas uma pessoa, ou de apenas um gestor, embora a solução possa vir de um líder visionário. Quero crer que, quando jogadas na fogueira de vaidades do mundo corporativo, muitas pessoas acabam por desenvolver essas, por assim dizer, “psicoses”, notadamente a “esquizofrenia”, mas também a “paranóia”. Ou seja, o mundo corporativo, competitivo e estressante, pode levar facilmente a essa condição de formação de clãs e desinformação, de feudos e dissociação entre discurso e prática. Penso até que é reação natural: ao sentir-se na selva corporativa, algumas pessoas passam igualmente a agir como “homens das cavernas”, vivendo em bandos e desconfiados de qualquer outro grupo.
    Portanto, creio que o papel da organização e da área de comunicação é justamente o de criar credibilidade, que é uma coerência entre fala e ação, confiança. A partir do momento em que a percepção mudar, de selva corporativa para um time compartilhando os mesmos objetivos, acho que a esquizofrenia vai ser curada sem a necessidade de remédios….

    Obrigado pela oportunidade de reflexão. Parabéns pelo blog!

     
    • janamachado

      08/07/2009 at 21:26

      Prezado Rui,

      Gostei muito de sua reflexão. Muito boa e coerente com que disse. Realmente, é uma fogueira das vaidades e posso dizer de cadeira que muitos só serão curados com a necessidade de remédio. Prefiro aqui nem dizer qual é. Mas, tem uma solução.
      Meus textos estão sempre abertos para todas as pessoas que queiram escrever e dar a sua opinião e todos são publicados e bem vindos.
      Volte sempre que tiver um novo texto e exponha a opinião.
      Abs
      Janaína

       
  3. Laecio Barreiros

    14/07/2009 at 14:28

    Excelente texto,

    Como consultor em Finanças e Gestão de Pequenas e Medias Empresas me deparo sempre com cenarios de Comunicação Esquizofrenica que alem de prejudicar o ambiente e o coletivo, impacta diretamente no Planejamento Estrategico e Tatico dos Negocios.

    Laecio Barreiros
    L&Barreiros Controladoria

     
    • janamachado

      14/07/2009 at 15:53

      Prezado Laecio,

      Obrigada! Com toda acerteza, muitas empresas trabalham com Comunicação Esquezofrênica e não se dão conta do que estão fazendo. Uma pena!
      Volte sempre e os seus comentários serão sempre bem vindos!
      Abs,
      Janaína

       
  4. Thays Babo

    15/07/2009 at 10:29

    Jana, já assisti a isto em algumas corporações em que trabalhei e vejo ainda como consultora em Pesquisa de Mercado.

    Às vezes o problema não é só gerencial: é institucional e, dependendo do perfil da empresa, toda a estrutura é esquizofrenizante… É preciso um trabalho sério, um ‘choque de gestão’ pra começar a mudar. E apesar de alguns aplaudirem, tem sempre quem lamente sair da ‘estabilidade’, ainda que doentia.

     
    • janamachado

      15/07/2009 at 14:51

      Olá Thays,
      Prazer enorme vê-la novamente aqui, dando sua opinião. Obrigada.
      Concordo plenamente com vc. Mas, lembre-se, sepre começa pro alguém que vai contaminando. Pode ser que o foco inicial seja institucional ou gerencial ouaté mesmo de um colaborador. Todos são causadores de Comunicação Esquizofrênica e nãopodemos nunca descartá-los.
      Aguardo o seu comentário para o próximo texto e se tiver alguma sugestão, por favor, encaminhe. Será um prazer ter dicas para esquecer um tema.
      Abs,
      Jana

       

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: