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Até onde vai à transparência?

22 jun

clara 2jpgLemos em todos os livros de comunicação corporativa, comunicação interna, marketing, gestão etc., que a melhor maneira de uma empresa manter a  comunicação com os stakeholders é ser transparente.

Vamos analisar do ponto de vista da comunicação interna. Até que ponto esta transparência é verdadeira? Temos certeza que o melhor caminho a percorrer é esse, mas nós profissionais de comunicação sabemos que a banda não toca desta maneira. Muitas vezes vemos esta banda passar pela janela e desafinar de forma bem feia. Como? A informação vaza pelos corredores, voando como um papel ao vento sem que se consiga ser apanhado, antes mesmo que ela possa ser divulgada pelas ferramentas convencionais. Por que isto acontece? A resposta é muito simples. Problema de gestão, liderança, confiança na equipe e rapidez.

Reconheço que existem muitas empresas que estão tentando encontrar o ritmo certo para sua orquestra/banda, mas de vez em quando dão uma boa desafinada nos comunicados tanto internos quanto externos. Mas, estão tentando acertar. As organizações não podem é desafinar constantemente como tem ocorrido com muitas que há no mercado. A informação divulgada por meios oficiais de uma empresa é o poder mais precioso de uma gestão e deve estar contida toda a transparência possível para o público interno. Quando a liderança de uma empresa chama o gestor de comunicação e avisa que tem a necessidade de divulgar um comunicado oficial para os empregados, toda uma equipe fica mobilizada em volta, para que a informação possa chegar o mais rápido possível. Torna-se prioridade número um dos afazeres diários.

O que quase ninguém imagina quando não se trabalha em uma equipe de comunicação interna é que este comunicado segue um caminho tortuoso de vai e volta interminável quando líder tem nas veias e na alma a gravação de um escritor.

O comunicado que às vezes possui 10 ou no máximo 15 linhas e procura dizer exatamente tudo o que é necessário para a divulgação da informação clara e transparente, retorna para a equipe dilacerado de tal forma, que nem “Jack o Estripador” faria um trabalho tão perfeito.

Sabemos que este vai e volta existe e é inegável. Acontece na maioria das organizações. Os profissionais de comunicação tentam a todo custo defender o primeiro texto e entender o esquartejamento. Quando segue para o líder com o objetivo de receber a segunda aprovação final, já aconteceu o que nunca deveria ter acontecido: a demora na divulgação da informação.

O inevitável também pode ter acontecido. O vento levou a informação e chegou aos ouvidos dos colaborados na “rádio-corredor”, no fumódromo, no restaurante etc., sem nenhuma clareza.  O tempo que se leva para divulgar a informação é precioso. Pode ser aliado, como pode ser destruidor. A transparência que muitas vezes deve ajudar em momentos de crise, gera uma crise, se a comunicação não for rápida e eficiente. O disse me disse é ruim porque vem carregado de pontos que não são verdadeiros. Fatalmente você já passou por esta situação e viu o sindicato na porta de sua empresa gritando para os quatro cantos do planeta sobre uma informação que não saiu oficialmente.

Quem nunca passou por isto atire a primeira pedra. E qual a solução para este problema? Gestores e líderes sem medo de contar a total e real verdade, não ficar se escondendo atrás de lindas palavras, vírgulas bem colocadas, trocando seis por meia dúzia, para tentar divulgar uma informação que no final saiu bela, porém sem conteúdo e escondendo a real verdade do que deveria ser apresentado.

Muitos gestores esquecem – e topamos por nossos caminhos profissionais com pessoas assim -, que toda a parafernália tecnológica, rapidez, credibilidade, confiança andam de mãos dadas e ajudam a comunicação interna, mas basta um deslize, um segundo perdido para que tudo seja jogado por terra. Nada do que a comunicação interna da empresa faça depois irá recuperar a confiança e credibilidade do colaborador.

Se o gestor de comunicação já sabe que nada é divulgado sem aprovação do líder da empresa, se já sabe que este mesmo líder se acha um bom escritor – mas esta não é a realidade suprema -, comece informando via Intranet ou qualquer outro meio mais rápido que em poucos minutos um comunicado será divulgado. Aponte alguns itens principais. Isto evitará especulações. Certamente, a empresa evitará o disse me disse e os cochichos de corredor. Faça uma chamada sem criar expectativa, seja claro e fale com o colaborador de forma transparente para que este tipo de assunto não chegue torto de tanto que a informação demorou a chegar.

Muitos profissionais de comunicação interna já conseguiram presenciar desastres internos provocados por tanta demora em encaminhar um comunicado. E sabe quem será o culpado da demora? A área de Comunicação Interna que perde fatalmente a sua credibilidade. Tenha certeza, os colaboradores nunca sabem que o líder faz a aprovação final e que existe este vai e volta, muito menos, que o líder da empresa muitas vezes gosta de exercer o seu lado Hemingway, Saramago, Jorge Amado ou de um revisor de jornal. A culpa sempre recair na equipe que foi lenta e não correu para divulgar a informação.

E o sentimento de culpa? E o trabalho que deveria ser realizado com transparência e não foi? Como este profissional se sente quando sabe que o comunicado não apresenta a real verdade e tem palavras lindas para esconder o real problema? É claro que o bom profissional se sente um lixo, porque sabe que está contanto meia verdade.

Mas, a clareza e transparência em muitos momentos e em muitas empresas dependem do conhecido: “Manda quem pode e obedece quem tem juízo”.  Horrível isto? Terrível. Mas, a realidade é para ser mostrada. O conhecido varrer para debaixo do tapete. A equipe de comunicação interna na maioria das empresas não tem autonomia para divulgar o que quer depois de ter conversado com o líder. O comunicado final sempre terá uma aprovação do maior gestor.

Muitos profissionais de comunicação interna escutam de seus gestores para não ligar, esquecer que o texto foi dilacerado, que a informação não é tão verdadeira, mas que devem defender até o último segundo de sua vida que a informação foi transparente e que não há nada de errado nela. Apenas publique-a e esqueça o ocorrido, pois outros comunicados virão.

Fato comum? Sim! Conhecemos muitas empresas que ainda passam por isto e não aprendem nada. Sai gestão e entra gestão e a transparência é apenas uma palavra bonita para ser pronunciada pela equipe de comunicação interna como um mantra sagrado. Essas empresas parecem apresentar uma neblina que vai se acumulando e tornando-se densa a cada ano.

Acredito que existam empresas brasileiras que mudam de gestão e aprendem que sem a transparência na informação não conseguirá conquistar seus stakeholders, que são preciosos para o crescimento e padrão de qualidade de seus serviços em um mercado tão competidor. São eles que ditam as regras e eles merecem esta transparência. A total e verdadeira informação.

Então senhores líderes, sabemos que para muitos, mudar é complicado, mas se você tem uma equipe de comunicação engajada e que acredita no trabalho que está fazendo sem que o gestor faça-os entoar diariamente um mantra, procure praticar seus dons editoriais em um blog descontraído e deixe sua equipe trabalhar e contar a verdade e convencê-lo de que a informação transparente só ajuda, apesar de ser muitas vezes difícil de contá-la. Uma empresa transparente estará ganhando e todos os envolvidos na informação passarão a acreditar no trabalho desenvolvido e na informação que é dada por esta empresa.

Vamos parar de entoar mantras e aplicar definitivamente a transparência, mesmo que ela seja dolorida e difícil de ser divulgada.

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8 Respostas para “Até onde vai à transparência?

  1. Ricardo Veloso

    23/06/2009 at 01:10

    Jana,

    Hoje estou meio azedo. 🙂

    Um ponto para você refletir (se já não o fez) e que talvez valesse um artigo inteiro.

    Qual seria o caminho do meio para balancear a transparência e a sensibilidade da informação estratégica?

    Outro ponto que quero comentar diz respeito a “comunicação do café”. Como você sabe sou um assíduo frequentador desta área comum e as notícias que ali correm podem até ter um ponto a mais, ou conterem alguma informação incorreta, mas costumam passar fielmente o ponto principal da notícia.

    Em vez de usar o portal corporativo ou a intranet, uma outra perspectiva para divulgar aqueles flashes citados por você enquanto “Deus” escreve o que ele deseja, seria usar o meio de comunicação mais eficiente que existe nas empresas… O boato… Já pensou na inovação e no impacto que seria um boato se tornar 100% realidadede?

    Beijos

    Ricardo Veloso

     
  2. ricardo

    23/06/2009 at 09:20

    Teu texto é panorâmico. Muitas gestões não entendem a comunicação porque não fazemos parte das gestões. Então, o Imediato quer dar uma de comunicador, afinal ele sabe…. ele até sabe, mas a sua ignorância da Comunicação não lhe permite delegar a fala da empresa a outro. Ele é a empresa. Bom é quando trabalhamos para empresas que o Imediato ou chefe não se acha a empresa. Não vejo a transparência como problema, por que esta é uma linha delicada, vejo a necessidade sempre de antecipação da informação para não gerar má gestão interna. Com gestores egocentricos o tempo passa e a informção na mão dele fica velha, há vazamento bla´blá blá e ae vem um cara, não é?, e diz, “deixa prá lá” . Comunicação é gestão e pronto. Não é almoxarifado. Com ou sem diploma, quem perde é a empresa. Sejamos humildes, comunicação requer sabedoria. E para isso temos que ser gestores. Ou seja fazer parte do grupo que decide. Parabéns pelo texto, uma boa imagem “do chão de fábrica”. rsrsr

     
    • janamachado

      23/06/2009 at 19:04

      Prezado Ricardo,

      Concordo com o seu post, somente um fato que desejo adicionar. Não dei uma boa ima gem de “chão de fábrica”. (rsrsrs). Com toda a minha alma, coração e sangue. isto acontece em grande empresas. Acho que em chão de fábrica a transparência consegue ser maior e a rapidez mais ainda.

      Você deve imaginar qtos Santos, anjos e todo o céu uma comunicação interna tem que falar para aprovar um comunicado. Não é fácil.

      Como você mesmo disse, comunicação reque sabedoria e nem todo mundo vem com ela gravado no DNA, apesar de jurar que tem.

      Um forte abraço e obrigada mesmo pelo seu belo comentário. Volte sempre e parabéns pelo seu último post que estava excelente.

      Janaína Machado

       
      • ricardo nespoli

        27/06/2009 at 14:15

        Janaína, usei uma figura de linguagem ambigua. Somos aqueles que são desejados e rejeitados. Opps outra vez a figura de linguagem. Mas eu so queria comentar seu post. Ele já diz tudo , ótimo relato e percepção apurada.

         
  3. janamachado

    23/06/2009 at 18:56

    Rick,

    Comunicação interna e Corporativa não pode nunca utilizar o boato. Fora de questão. O que se tem a fazer e ter uma equipe mais eficiente, uma comunicação rapida para que a notícia não chegue velha aos ouvidos do colaborador.

    Uma área de comunicação não pode utilizar a “ferramenta” boato. O dicionário Houaiss é claro no que diz sobre boato.Leia: notícia de fonte desconhecida, muitas vezes infundada, que se divulga entre o público; qualquer informação não oficial que circula dentro de um grupo; maledicência divulgada à boca pequena; coscuvilhice; dito sem fundamento; balela.
    Uma área de comunicação não pode trabalhar com uma informação sem fundamento enqto a informação oficial não sai porque passa na mão de Deus – na verdade e sabemos que muitas vezes não passa pela mão de Deus e sim de vários santos ou de alguém que ele dá a designação para aprovar e este Deus 2 fica tão envaidecido por ter sido escolhido que demooooora com sua aprovação admirando a obra que vai sair para os funcionários.

    O que se tem a fazer realmente é parar de entoar mantras, parar de envaidecer quem não se deve e um líder (Deus), achar que os amjos podem também resolver caso ele confie na equipe que tem.

    Sabemos muito bem também que não adianda falar a frase para o suposto Santo: não podemos demorar, pois pode vazar e a notícia ficar velha. Parece que o Santo não escutou o pedido para se fazer o Milagre. O que acaba acontecendo é a gente tendo o Milagre adiado – na verdade – ele não acontece. E a comunicação perde a credibilidade.

    Não é chão de fábrica. Isto acontece em muita empresas de grande porte. Qdo a notícia chega no café, fumódromo, corredor etc., já está distorcida e o boato está criado. Como se conserta uma mentira, um boato? Qdo a destruição está feita, ela está feita, para consertar dá mais trabalho. Então, a sugestão é a transparência e rapidez que são duas coisas super complicadas de se trabalhar em uma empresa de grande, médio e também de pequeno porte.

    Bjs

     
  4. Carla Tuche

    25/06/2009 at 11:52

    Jana, parabéns pelo texto! Só para acrescentar:
    Na minha experiência enquanto profissional de Comunicação Interna, a falta de transparência iniciava na relação dos líderes com sua área de comunicação. A informação a ser divulgada aos colaboradores já vinha “pela metade” e o discurso já pronto da diretoria. Cabia à área de comunicação apenas “florear”, as palavras, dar um tom marketeiro à informação, sem nem mesmo saber direito do que se tratava…
    Resumindo: Eu finjo que comunico e o chefe acredita que está se comunicando com a empresa…
    Como dar credibilidade a uma área de comunicação se isto não vem de cima?
    Muitas vezes o que acontecia é que a própria área de comunicação ficava “vendida” diante dos fatos reais e fica sabendo da verdade junto com os outros colaboradores, na área do cafezinho.
    Um dos maiores desafios do profissional de comunicação é deixar de ser um instrumento de apoio ao board da empresa, apenas divulgando o que interessa e da maneira que interessa, passando a atuar como órgão “neutro”, confiável, facilitador da relação de gestores e colaboradores, e com os canais abertos dos dois lados, usando suas ferramentas para trabalhar as informações da maneira mais clara, direta e honesta possível.
    beijocas!!!!

     
    • janamachado

      25/06/2009 at 16:53

      Oi Carla,
      Adorei seu comentário. Uma verdadeira complementação do que eu disse. Na verdade, sentimos isto na pele e sabemos como foi. Só nos resta como profissionais de comunicação, passar adiante o que devemos fazer e o que não devemos fazer, porque já temos experiência, conhecimento, capacidade suficiente para saber o que é certo e errado nesta área.
      Beijos imensos e uma coisa tenho para lhe dizer: queria um dia voltar a trabalhar junto de você e aquela equipe maravilhosa. Bons tempos!

       
  5. Dri Viaro

    03/07/2009 at 15:49

    Oi,passei pra conhecer seu blog, e desejar bom fds
    bjs

    aguardo sua visita 🙂

     

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