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Arquivo mensal: junho 2009

Até onde vai à transparência?

clara 2jpgLemos em todos os livros de comunicação corporativa, comunicação interna, marketing, gestão etc., que a melhor maneira de uma empresa manter a  comunicação com os stakeholders é ser transparente.

Vamos analisar do ponto de vista da comunicação interna. Até que ponto esta transparência é verdadeira? Temos certeza que o melhor caminho a percorrer é esse, mas nós profissionais de comunicação sabemos que a banda não toca desta maneira. Muitas vezes vemos esta banda passar pela janela e desafinar de forma bem feia. Como? A informação vaza pelos corredores, voando como um papel ao vento sem que se consiga ser apanhado, antes mesmo que ela possa ser divulgada pelas ferramentas convencionais. Por que isto acontece? A resposta é muito simples. Problema de gestão, liderança, confiança na equipe e rapidez.

Reconheço que existem muitas empresas que estão tentando encontrar o ritmo certo para sua orquestra/banda, mas de vez em quando dão uma boa desafinada nos comunicados tanto internos quanto externos. Mas, estão tentando acertar. As organizações não podem é desafinar constantemente como tem ocorrido com muitas que há no mercado. A informação divulgada por meios oficiais de uma empresa é o poder mais precioso de uma gestão e deve estar contida toda a transparência possível para o público interno. Quando a liderança de uma empresa chama o gestor de comunicação e avisa que tem a necessidade de divulgar um comunicado oficial para os empregados, toda uma equipe fica mobilizada em volta, para que a informação possa chegar o mais rápido possível. Torna-se prioridade número um dos afazeres diários.

O que quase ninguém imagina quando não se trabalha em uma equipe de comunicação interna é que este comunicado segue um caminho tortuoso de vai e volta interminável quando líder tem nas veias e na alma a gravação de um escritor.

O comunicado que às vezes possui 10 ou no máximo 15 linhas e procura dizer exatamente tudo o que é necessário para a divulgação da informação clara e transparente, retorna para a equipe dilacerado de tal forma, que nem “Jack o Estripador” faria um trabalho tão perfeito.

Sabemos que este vai e volta existe e é inegável. Acontece na maioria das organizações. Os profissionais de comunicação tentam a todo custo defender o primeiro texto e entender o esquartejamento. Quando segue para o líder com o objetivo de receber a segunda aprovação final, já aconteceu o que nunca deveria ter acontecido: a demora na divulgação da informação.

O inevitável também pode ter acontecido. O vento levou a informação e chegou aos ouvidos dos colaborados na “rádio-corredor”, no fumódromo, no restaurante etc., sem nenhuma clareza.  O tempo que se leva para divulgar a informação é precioso. Pode ser aliado, como pode ser destruidor. A transparência que muitas vezes deve ajudar em momentos de crise, gera uma crise, se a comunicação não for rápida e eficiente. O disse me disse é ruim porque vem carregado de pontos que não são verdadeiros. Fatalmente você já passou por esta situação e viu o sindicato na porta de sua empresa gritando para os quatro cantos do planeta sobre uma informação que não saiu oficialmente.

Quem nunca passou por isto atire a primeira pedra. E qual a solução para este problema? Gestores e líderes sem medo de contar a total e real verdade, não ficar se escondendo atrás de lindas palavras, vírgulas bem colocadas, trocando seis por meia dúzia, para tentar divulgar uma informação que no final saiu bela, porém sem conteúdo e escondendo a real verdade do que deveria ser apresentado.

Muitos gestores esquecem – e topamos por nossos caminhos profissionais com pessoas assim -, que toda a parafernália tecnológica, rapidez, credibilidade, confiança andam de mãos dadas e ajudam a comunicação interna, mas basta um deslize, um segundo perdido para que tudo seja jogado por terra. Nada do que a comunicação interna da empresa faça depois irá recuperar a confiança e credibilidade do colaborador.

Se o gestor de comunicação já sabe que nada é divulgado sem aprovação do líder da empresa, se já sabe que este mesmo líder se acha um bom escritor – mas esta não é a realidade suprema -, comece informando via Intranet ou qualquer outro meio mais rápido que em poucos minutos um comunicado será divulgado. Aponte alguns itens principais. Isto evitará especulações. Certamente, a empresa evitará o disse me disse e os cochichos de corredor. Faça uma chamada sem criar expectativa, seja claro e fale com o colaborador de forma transparente para que este tipo de assunto não chegue torto de tanto que a informação demorou a chegar.

Muitos profissionais de comunicação interna já conseguiram presenciar desastres internos provocados por tanta demora em encaminhar um comunicado. E sabe quem será o culpado da demora? A área de Comunicação Interna que perde fatalmente a sua credibilidade. Tenha certeza, os colaboradores nunca sabem que o líder faz a aprovação final e que existe este vai e volta, muito menos, que o líder da empresa muitas vezes gosta de exercer o seu lado Hemingway, Saramago, Jorge Amado ou de um revisor de jornal. A culpa sempre recair na equipe que foi lenta e não correu para divulgar a informação.

E o sentimento de culpa? E o trabalho que deveria ser realizado com transparência e não foi? Como este profissional se sente quando sabe que o comunicado não apresenta a real verdade e tem palavras lindas para esconder o real problema? É claro que o bom profissional se sente um lixo, porque sabe que está contanto meia verdade.

Mas, a clareza e transparência em muitos momentos e em muitas empresas dependem do conhecido: “Manda quem pode e obedece quem tem juízo”.  Horrível isto? Terrível. Mas, a realidade é para ser mostrada. O conhecido varrer para debaixo do tapete. A equipe de comunicação interna na maioria das empresas não tem autonomia para divulgar o que quer depois de ter conversado com o líder. O comunicado final sempre terá uma aprovação do maior gestor.

Muitos profissionais de comunicação interna escutam de seus gestores para não ligar, esquecer que o texto foi dilacerado, que a informação não é tão verdadeira, mas que devem defender até o último segundo de sua vida que a informação foi transparente e que não há nada de errado nela. Apenas publique-a e esqueça o ocorrido, pois outros comunicados virão.

Fato comum? Sim! Conhecemos muitas empresas que ainda passam por isto e não aprendem nada. Sai gestão e entra gestão e a transparência é apenas uma palavra bonita para ser pronunciada pela equipe de comunicação interna como um mantra sagrado. Essas empresas parecem apresentar uma neblina que vai se acumulando e tornando-se densa a cada ano.

Acredito que existam empresas brasileiras que mudam de gestão e aprendem que sem a transparência na informação não conseguirá conquistar seus stakeholders, que são preciosos para o crescimento e padrão de qualidade de seus serviços em um mercado tão competidor. São eles que ditam as regras e eles merecem esta transparência. A total e verdadeira informação.

Então senhores líderes, sabemos que para muitos, mudar é complicado, mas se você tem uma equipe de comunicação engajada e que acredita no trabalho que está fazendo sem que o gestor faça-os entoar diariamente um mantra, procure praticar seus dons editoriais em um blog descontraído e deixe sua equipe trabalhar e contar a verdade e convencê-lo de que a informação transparente só ajuda, apesar de ser muitas vezes difícil de contá-la. Uma empresa transparente estará ganhando e todos os envolvidos na informação passarão a acreditar no trabalho desenvolvido e na informação que é dada por esta empresa.

Vamos parar de entoar mantras e aplicar definitivamente a transparência, mesmo que ela seja dolorida e difícil de ser divulgada.

 
 

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Motivação. Será que 50% é responsabilidade do funcionário?

AA044448A minha primeira semana de junho foi dedicada a estudar e principalmente, fazer reciclagem para o curso de extensão que darei em setembro sobre comunicação interna. Li muitos livros sobre o assunto. Livros de comunicação empresarial e endomarketing, da ABERJE, da FGV, da autora Analisa de Medeiros Brum, do autor Saul Bekin, da Abracom, artigos do site Nós da Comunicação etc. Muitos desses livros e artigos me chamaram a atenção para a informação, integração, transparência das informações, que devem ser passadas de modo claro pelo gestor, motivação etc. São várias fórmulas e dicas para uma boa comunicação interna e corporativa e muitas passadas pela especialista Analisa de Medeiros Brum de forma extremamente importante. Mas, no meio de minha leitura desses vários livros e artigos me deparei com um assunto que já escrevi e que volto a escrever neste texto: motivação.

Confesso que é um assunto que mexe com qualquer pessoa. Em todos os seus livros, Analisa enfatiza que se deve dividir a responsabilidade da motivação, atribuindo ao funcionário pelo menos 50%, de acordo com a moderna psicologia organizacional.

Refleti muito sobre isto. Será? Sabemos que a motivação dos funcionários que trabalham em qualquer empresa não podem ser atrelados a apenas prêmios, bônus, aumentos de salários etc. Isto não é um peixinho dourado que deve ser passado com frequência para que o funcionário possa trabalhar da maneira que a empresa deseja. Eu, como uma profissional da área e que trabalhei muito com isto, acredito que valorização está acima de qualquer coisa e eu disse isto em meu texto passado. A satisfação de ser reconhecido pode ser o peixinho dourado, a cenorinha que tanto o funcionário deseja. Mas, atribuir 50% de motivação para este colaborador é um peso altamente grande. Se estiver errada, por favor, mandem comentários.

Fico pensando nas empresas que passam atualmente por problemas internos e organizacionais. Já presenciei várias com problemas nestes meus longos anos de carreira e posso afirmar que um clima desfavorável afetou e afeta completamente a motivação de equipes de vendas, de comunicação interna, engenharia, marketing, ativação, chão de fábrica etc. A sensação que tinha era de um rastilho de póvolra. Riscou, corre rápido e sem dar tempo de chamar o bombeiro. É preciso um trabalho intenso e um planejamento estratégico forte para que a motivação, o orgulho e o sorriso volte a reinar nos rostos dos funcionários que fazem a diferença dentro dessas empresas.

Não basta usar o velho jargão, que muitos profissionais odeiam mas que muitos utilizam: vestir a camisa. Caso o funcionário esteja desmotivado por qualquer motivo aparente, se a empresa estiver desestruturada, com clima de desintegração entre as equipes, não há nada que faça o funcionário vestir a camisa que ele sempre vestiu com orgulho. Nada fará com que ele saia de casa como faz todos os dias de sua vida, com aquele sorriso nos lábios e com a satisfação de que fará um excelente trabalho naquele dia.

Concordo com a autora que motivação também deve estar dentro de cada pessoa e que existem milhões de exemplos de automotivação. Bill Gates, Carlos Slim, Silvio Santos são citados como pessoas que se automotivaram. O primeiro não ligou de ser chamado de nerd, o segundo fez fortuna quando criança trocando figurinhas e o terceiro vendendo canetas dentro das Barcas que fazia a travessia Rio/Niterói. São exemplos de pessoas riquíssimas e que não esmoreceram.

Ambientes desfavoráveis acabam desestimulando todos dentro do local de trabalho. A falta de informação, de integração acaba com qualquer empresa. Como achar motivação quando o empregado muitas vezes é o último a tomar conhecimento de uma informação importante de sua empresa? Sério! Tem empresas que lançam produtos e serviços primeiro para o mercado e depois comunicam para seus funcionários.

Qual é o empregado que fica motivado ao saber que sua empresa está lançando um serviço por uma revista ou porque seu vizinho viu o anúncio primeiro que ele? Olha que existem muitas empresas no mercado que insistem neste tipo de comunicação! A comunicação interna não trabalha aliada a comunicação externa. Isto é inconcebível. O funcionário se sente desmotivado e vê que ele não é fator importante para a empresa que trabalha.

Este gestor, que deixou de se alinhar com a comunicação interna, esqueceu que o funcionário de sua empresa poderia muito bem ser o maior vendedor do produto lançado no intervalo do Fantástico?

Bem, aí vai uma dica para que a informação circule de forma rápida e transparente entre a empresa e os funcionários. Isto motiva, senhor gestor! Uma empresa tem que ser uma única equipe.

É fácil em uma grande empresa achar feudos e disputas corporativas e isto acaba gerando desorganização e climas desfavoráveis entre áreas. Sim, ainda é muito comum. Mas, acabar com este tipo de cultura é possível, porém exaustivo. É necessário principalmente planejamento, conscientização, trabalhar com os funcionários os valores, a cultura a ética da empresa. Além disso, são necessários gestores fortes e comprometidos para que a empresa volte a ter motivação, acabe com as disputas corporativas  e os feudos internos e venha a ser integrada.

O certo, e concordo com a Analisa de Medeiros Brum, é que não há fórmula mágica. Motivação é assunto sério e estudiosos estão tentando identificar fatos que possam motivar e comprometer os funcionários em um ambiente de trabalho.

Enquanto esta fórmula mágica não é achada, as empresas devem dar cada vez mais importância ao trabalho da Comunicação Interna. É por meio dela que podemos fazer circular a informação certa e segura e ainda a integração dos funcionários/empresa.

Como profissional volto a dizer: a fórmula mágica ainda está no reconhecimento/valorização. Este tipo de ação dá um “gás” ao funcionário. Mas, atenção! Não faça desta pequena ação um contentamento momentâneo, o que costumo comparar com a mulher que vai ao shopping e tem compulsão por compras para tapar um vazio existente. Valorização/reconhecimento tem que ser uma ação constante para que um dia, nós da área de comunicação, possamos achar quem sabe a tão sonhada “fórmula mágica’’.

 

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