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A imagem da destruição

17 abr

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As cenas que correram o Brasil na quarta-feira, dia 15 de abril, com os agentes de segurança da SuperVia, empresa concessionária dos trens do Rio de Janeiro, chicoteando trabalhadores que tentavam entrar nos trens não só abalaram os telespectadores que viam as cenas provavelmente revoltados e de bocas abertas as cenas chocantes como abalaram terrivelmente as estruturas dessa empresa.

Não temos dúvidas que a SuperVia saiu com sua marca, imagem, funcionários, administração e tudo mais que há dentro dela,manchado para o resto da vida. Eles não poderiam imaginar que câmeras, ainda mais da Rede Globo, estavam filmando e pode apostar, a imprensa não perdoa. Vai ficar na cola da empresa para buscar ao lado da população e principalmente, dos que foram agredidos uma explicação para o fato ocorrido. Uma imagem vale mais do que mil palavras e tem um poder de destruição fortíssimo.

Mas verdade seja dita. Não há explicação. Cenas assim foram vistas durante a Segunda Guerra Mundial quando trens superlotados carregavam judeus para os campos de concentração e para a morte. O que vimos foi apenas a troca de uniformes dos nazistas para a dos agentes de segurança da SuperVia. Lamentável!

Os jornais mostraram ontem à noite repetidas vezes a cena e compararam com cenas existentes no Japão. As empresas que administram os trens japoneses possuem o mesmo serviço, mais os funcionários, ao contrário do que o corrido na estação de Madureira ajudam os trabalhadores a entrarem no vagão superlotado com gentilezas para que as portas possam ser fechadas. Quando há atraso, todos recebem um papel na saída contendo um pedido de desculpas para que os japoneses possam entregar em suas empresas avisando  o  ocorrido. Aqui, as cenas que vimos foram agentes de segurança descontrolados diante de uma situação que levou a “destruição” da imagem de uma empresa. E agora, isto não tem mais conserto. Testemunhas afirmam que não é a primeira vez que isto acontece e a SuperVia já foi condenada por ter maltratado seus passageiros, que na verdade, são clientes da empresa.

Para correr atrás do prejuízo os agentes de segurança foram reconhecidos e demitidos. O presidente da SuperVia pede desculpas via alto falantes nas estações por meio de uma gravação. Ótimo! Mas, não minimiza o ocorrido. As cenas são tão bárbaras que a primeira atitude pensada pela assessoria de imprensa foi arrumar um jeito de diminuir o estrago causado. Mas, não basta somente isto. As conseqüências das chicotadas covardes e das agressões deixaram marcas e os pedidos de desculpas não são suficientes.

Agora a empresa vai ter que parar e rever internamente o problema. Acendeu o fio e a bomba explodiu. Resultado: crise absoluta dentro da SuperVia. Uma ação já foi aberta pelo Ministério Público para apurar o que aconteceu e esta história renderá muitas notícias e páginas nos jornais, revistas e telejornais que vão cobrar da SuperVia até esgotar  o assunto, a saliva dos jornalistas e os ouvidos dos telespectadores.

Só resta para a SuperVia tentar resgatar o que já estava desgastado. Vai ter que gastar um bom dinheiro para recuperar sua imagem, marca e a empresa. Um dinheiro que poderia ser economizado se houvesse planejamentos estratégicos internos e externos.

A pior coisa que pode acontecer com uma empresa é fazer um planejamento para acabar com uma crise. Será que não existia planejamentos estratégicos de marketing, treinamento de funcionários etc? Se havia tudo isto a empresa estava do avesso, pois os agentes de segurança fazem parte do seu corpo interno de funcionários e o que se viu foram pessoas descontroladas e estressadas.

O trem da SuperVia colidiu de frente em sua própria parede e o resultado está sendo colhido por não ter prestado atenção aos claros sinais apresentados, pois casos já tinham sido relatados. Talvez com novos planejamentos, pedidos de desculpas e uma boa gestão interna para refletir internamente a empresa possa melhorar e resgatar esta imagem perdida e desgastada. Certamente, a missão, a visão e principalmente, os valores foram esquecidos pelos funcionários e  mais ainda, pela alta administração da empresa. Não basta em um momento como esse ter somente a alta direção da SuperVia comprometida em querer minimizar o ocorrido. Toda a população, toda a organização tem que estar comprometida. O que faz a gente voltar com o velho jargão para aconselhar os funcionários da SuperVia:  “arregace as mangas e vesta a camisa”.

Para nós cidadãos, nós resta desejar boa sorte, pois quem precisa deste tipo de transporte não pode ser tratado como gado em direção ao abate.

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2 Comentários

Publicado por em 17/04/2009 em Gestão

 

2 Respostas para “A imagem da destruição

  1. Thays

    18/04/2009 at 22:11

    Como você, também fiquei chocada com a atitude dos funcionários da SuperVia, filmada e amplamente veiculada.

    Pra mim, o problema não é só da SuperVia, é social – tem a ver com educação, que tem falhado, com a crise ética que atravessamos também. É maior do que uma questão de planejamento estratégico e de gestão de pessoas.

    Ah, concordo que o gasto para melhorar a imagem vai ser imenso. Mas se não se investir numa melhor seleção e treinamento de pessoal, constante, pode tender a se repetir – até porque, não sei o que acontece, na contramão de alguns estudos, quanto mais se veicula imagens de violência, mais ela se multiplica! 😦

    Como alguém vai parar em um cargo destes? Que treinamento recebe? Como são preparados para trabalhar sob pressão? Afinal, convenhamos: estar ali, controlando o fluxo, é uma situação de pressão e risco. Alguém aqui já pegou um trem na hora do rush? Eu nunca. Mas já peguei metrô e e é assustador também. Existem estudos de Psicologia Social que mostram que mesmo pessoas ‘de bem’,com bons valores, em situações em que podem exercer poder são muitas vezes violenta, sem que nem entendam porquê.

    Pela minha formação, pelo treino para desenvolver a empatia, fiquei imaginando estes funcionários agressores ao chegar em casa. Não é fácil se colocar no lugar deles, mas, imaginem o drama: chegam em casa e contam que foram demitidos. Confessam que foram eles os violentos, que agrediram pessoas como eles, trabalhadoras também. Será que, perante amigos e familiares, vão ter como se recuperar? Vejam bem, não to defendendo não, mas de alguma forma a falha não é só deles. Serviram de bodes expiatórios de um problema enorme: transporte de massa.

    Enfim, por mais que a SuperVia queira proteger a sua imagem institucional, acho que caberia também fazer um mea culpa e pensar em sua responsabilidade e como ‘recuperar’ este tipo de agressor, até para servir de exemplo para outros funcionários.

     
    • janamachado

      19/04/2009 at 16:11

      Thays,
      Concordo com muita coisa que você escreveu, ainda mais vendo de outro angulo. Fiz minha análise baseado no trabalho que realizado. Mas, a análise vai muito mais além do que mera comunicação, planejamentos estratégicos etc. Mas, quando há uma contratação, há também treinamento e certamente isto não ocorreu da forma correta não temos mais dúvida. Sabemos que muitas das contratações e imersões nas empresas não são realizadas de forma adequada. Quando uma empresa é criada ela faz a sua missão, visão e valores e tudo vem acoplado nos planejamentos estratégicos. Realizar trabalho de gestão de pessoas é um trabalho árduo e muitas das áreas de RH não estão preparadas para isto. Um dos problemas também estão concentrados neste item. Quem treinou estes agentes talvez tenha esquecido da pressão diária que eles sofrem. Porque todo trabalho é realizado sob pressão aguda. Só que a pressão deles é diferente da pressão que passamos para cumprir metas, superar obstáculos e alcançar os objetivos estabelecidos. Eles lidam com o público e o treinamento deveria ser extremamente específico.
      Também não estou querendo defendê-los, mas nada justifica o que foi feito. Assim como nada justifica o que foi feito durante a Segunda Guerra Mundial praticado pelos nazistas e outros tipos de ataques. Que, infelizmente, volto a repetir, foi bem semelhante as imagens que vimos, mudaram somente os uniformes.
      Existem dois lados. O lado dos clientes que devem chegar aos seus destinos na hora marcada e caso não cheguem podem perder seus empregos e por este motivo fica aquele trem de carga desumano e o outro lado, dos agentes de segurança da SuperVia que talvez não tenham sido bem treinados pela empresa, trabalham sob uma pressão incalculável e acabam fazendo o que fizeram.
      Agora, como eles irão lhe dar com familiares etc, é um outro problema, que na minha concepção eles deveriam ter um acompanhamento psicológico. Mas, será que adiantaria?
      Confesso que violência gera violência e os nossos jornais também estão carregados de imagens violentas, filmes violentos, seriados violentos etc. O sociedade está um caos e perdeu totalmente o controle. O Rio de Janeiro, na minha opinião está sem controle e não serão planejamentos estratégicos que em algum momento poderão melhorar o que já está completamente torto.
      O que posso responder com toda certeza é que a SuperVia terá que gastar agora um bom dinheiro para melhorar sua imagem totalmente destroçada pela mídia. Se tem jeito, só o tempo dirá.
      Obrigada pela sua opinião e volte sempre. Será super bem-vinda. Seu comentário foi muito relevante.

       

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